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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Fez história

Reprodução


Por Alisson Matos


Estava escrito. E tinha que ser assim. Eram 102 anos do clube mais invejado do país e uma torcida que, por representar o povo, já sentiu na pele o sofrimento, a angústia e a decepção. Uma vida mais do que centenária de reveses que, quando se transformam em glórias, escorrem pelos olhos em forma de lágrimas e pulsam como nunca em milhões de corações alvinegros espalhados por todos os cantos do país.

Era chegada a hora. Noite de quarta-feira, Pacaembu, e uma final de Libertadores inédita para o bando de loucos. O estádio, pintado em duas cores, era palco do maior duelo dos últimos tempos e a fiel testemunhava uma partida daquelas que devem ser guardadas para sempre na memória.

E foi no peito, na insistência e na raça, assim, do jeito que o corintiano se acostumou, que Emerson abriu o placar após lindo passe de calcanhar de Danilo já no segundo tempo. A torcida explodia e soltava o grito preso desde os tempos de Pelé, de Raí e de Marcos, ídolos de times rivais, de torcedores que sempre utilizaram deste argumento para rebaixar o que não se rebaixava, para humilhar o que não se humilhava e para diminuir quem jamais se apequenou.

O palco do espetáculo tremia e aguardava a convicção. Que veio com o segundo tento da partida, de novo com Emerson, que parecia beliscar cada torcedor convidando-o a acordar do sonho, que deixara de ser pesadelo, e fazer parte daquela história que será contada de avô para neto, de pai para filho, de louco para louco e de fiel para fiel.

O time do imponderável, da fantasia e do encanto. A mística corintiana em mais um capítulo. Desta vez, numa conquista que faz jus à eternidade.


quinta-feira, 28 de junho de 2012

Quebrando barreiras

Marcos Ribolli / Globoesporte.com
Por Alisson Matos


É a quarta semana consecutiva que escrevo aqui sobre o Corinthians e, já adianto, terá uma próxima. Mas como não falar do último campeão brasileiro que, ao estilo Tite até a medula, tem tudo para conquistar, pela primeira vez, a América?

Sim, pois das vexatórias e trágicas eliminações alvinegras em Libertadores anteriores só restaram as lembranças e a experiência, pois em 2012, pelo que parece, será diferente.

A começar pela equipe ter obtido um equilíbrio que beira a raridade e ter feito uma primeira fase para lá de tranquila no torneio continental. O pesadelo de voltar para casa mais cedo foi vencido a cada etapa. E os deuses do futebol se encarregaram de colocar o Vasco, Santos e, agora, o Boca à frente do Timão para que, se for campeão, o título seja inquestionável.

Nada que mancharia ou não fosse dada a real relevância necessária à conquista inédita, mas em um país como o Brasil em que, além de vencer, tem que convencer, a taça da Libertadores para o mais que centenário Corinthians não será mero detalhe.

Quarta-feira que vem os 90 minutos que separam o bando de loucos de um sonho que tem tudo para ser realizado. A fiel a dois passos do paraíso e os jogadores prestes a cravar os seus nomes na eternidade. Feito para poucos.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Corinthians contra tudo e todos


Leandro Moraes/UOL

Por Alisson Matos

O que se viu ontem num Pacaembu encantado como sempre e emocionante como nunca foi o time mais equilibrado do país sair classificado contra o escrete considerado o melhor. E não há insano capaz de dizer que não chegou a hora.

O nunca ter passado das semifinais do torneio sul-americano reservou toques de crueldade à fiel que parecia participar de um espetáculo daqueles em que a sinergia não poupa ninguém, independente da camisa que se veste ou do time que se ama.

Os prelúdios do dia já noticiavam que a cidade teria uma noite especial e a ansiedade fazia a maior cidade do país pulsar no ritmo dos corações alvinegros que vaticinam um jogo que faria jus à eternidade.

Na partida, como era esperado, a respiração de quem a assistia era ofegante. Apaixonados e contrários uniram-se para presenciar um duelo que entraria para a história. Os corintianos iam além, queriam eles mesmos levar a sua maior paixão a uma final em que nunca chegou. E faziam festa linda incapazes até de silenciar no gol feito por Neymar.

O Santos parecia imune à pressão das arquibancadas, jogando ao irritante estilo Muricy, pragmático, que só acordou de vez quando o estádio explodiu com o gol de empate de Danilo.

Era justo e, desta vez, era Corinthians, que carrega com ele uma antipatia por parte dos torcedores de todas as outras equipes do Brasil que não dá para se explicar. O time que, neste ano, é longe de ser brilhante, mas encanta a fiel torcida a cada resultado positivo alcançado.

Uma equipe capaz de tirar lágrimas dos apaixonados. Capaz de chegar à inédita final. Capaz de emocionar até quem não é corintiano.

Que venha o Boca ou a La.U para, como escreveu um gênio, um embate que parece ser o de um time contra o mundo.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Corinthians imponente

Por Alisson Matos

Foto: Marcos Ribolli



Sim, há os idiotas da objetividade que, antes mesmo do jogo começar, procuravam vaticinar atalhos e desvendar caminhos por onde os jogadores de Santos e Corinthians deveriam produzir suas jogadas. Falo desses que insistem em táticas, números e objetividade, incapazes que são de entender que o futebol, na essência, se basta com a arte, o lúdico e o espetáculo.

Na Vila Belmiro, que de caldeirão nada tinha, não se viu o que se esperava do time da casa. No duelo entre o melhor escrete do país contra o de maior equilíbrio não foram os detalhes os responsáveis pela vitória da equipe comandada por Tite.

Se no Corinthians há jogadores dispostos a entrar na história do clube, valentes como sempre e jogando como nunca, o Peixe tinha um Neymar já exausto e Ganso com raros e geniais lampejos, que não foram suficientes perante a falta de vibração da equipe de Muricy.

Das arquibancadas, não saiu a pressão que se anunciara. Dos pés dos meninos da Vila as jogadas não brotaram. Da cabeça do técnico santista as soluções não surgiram. O Santos estava resumido, sem brilho e sem a sua essência. Já o Corinthians, não. Foi imponente, corajoso e inexpugnável, em um dia que até o Emerson, que raramente acerta um chute, acertou um chute raro.

Uma partida que foge de qualquer análise. Um duelo que ainda não está decidido. Uma vaga que ainda está em aberto. Um clássico que o Rei Pelé disse ser o maior jogo do mundo. E, até a próxima semana, será.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Foi Corinthians

Por Alisson Matos


Reprodução

Quando o Diego Souza perdeu a chance do jogo, já no segundo tempo, a partida entre Corinthians e Vasco era desenhada como aquelas que entram para história pelo drama, sofrimento e angústia provocados pelo equilíbrio entre as equipes.

A fiel fazia festa linda num Pacaembu lotado e alvinegro na agradável noite paulistana. A bola na trave de Nilton, no lance seguinte ao citado acima, confirmava o que se sabe há tempos que, com o Corinthians, a dor parece ser maior.

Tinha jogo. Era um duelo daqueles que são decididos nos detalhes. Equipes bem montadas e que, até então, não haviam cometidos erros que comprometessem o resultado. Era o Corinthians correndo atrás do desejado título e o Vasco buscando o bicampeonato.

A cidade respirava os ares pintados em duas cores, mas o gol salvador não saia. Para nenhum dos lados. Na raça e no peito o time da casa era valente, jogava no melhor estilo Tite, era perigoso, mas não abria o placar. Já o Vasco, era a cadência simbolizada em Juninho Pernambucano, que parecia não viver seus melhores dias.

O destino já apontava para os pênaltis quando, aos 42 minutos da etapa complementar, em escanteio cobrado, na única falha da zaga carioca, Paulinho apareceu sozinho para ensandecer de vez o bando de loucos Brasil a fora. Era a redenção, a classificação e o alívio.  Na garra, na luta e no sofrimento.

Assim, do jeito que o corintiano se acostumou.





sexta-feira, 11 de maio de 2012

Lição santista

Por Alisson Matos




Foto:Reuters/Paulo Whitaker
O espetáculo proporcionado pelo Santos na Libertadores da América valeu muito mais do que a classificação para a próxima fase do torneio. Viu-se, ali, uma lição de vida. Porque se o peixe fora tratado de maneira que beira o absurdo no jogo de ida, respondeu a selvageria com bom futebol na partida de volta.

Os acachapantes oito gols no duelo da Vila vieram para provar que artifícios quase amadores não garantem bons resultados. O adversário, o Bolívar, que como principais armas na competição tinha a altitude e o anti-futebol não viu a cor da bola e foi reles protagonista na estrelada noite praiana. Neymar e companhia só não fizeram chover. Pressionaram do início ao fim sem dar chances ao fraco time boliviano.

Gols bonitos foram aos montes. O primeiro, de Elano, foi coisa rara. Já o tento marcado por Paulo Henrique Ganso, de letra, além de merecer placa pela beleza e genialidade ratificou que a intenção dos meninos era mesmo humilhar, tamanha a raiva que estavam devido ao tratamento recebido no jogo anterior.

A desenvoltura, maturidade e encanto que mostra o time de Muricy, para quem viu, remetem aos dourados anos de Pelé. Um futebol mágico, de sonhos, capaz de fazer com que este que vos escreve tenha saudade até do que não viu. No futebol brasileiro, a minha geração não acompanhou nada que se possa comparar ao atual escrete santista, que responde na bola, com gols, alegria e espetáculo os incautos provenientes dos vizinhos sul-americanos.

O Santos é um exemplo. Que todos passem a segui-lo. 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Enxergar é preciso



Ale Cabral


Por Alisson Matos

Aqui já escrevi que o Corinthians jamais foi tão favorito a conquistar a Libertadores como agora. O tal equilíbrio, dito e repetido inúmeras vezes por Tite, parecia ter sido alcançado. Fruto, também, das decepções acumuladas em anos anteriores, a estabilidade veio acompanhada do quase inseparável pragmatismo do treinador.

O time não encanta, faz poucos gols e tem como virtude a marcação. A máxima de que primeiro é preciso arrumar lá atrás para depois pensar na frente ganhou corpo no Parque São Jorge. Resultado do dito futebol “moderno”. Foi assim que o time conquistou o Campeonato Brasileiro. É assim que a equipe joga o torneio intercontinental. 

Nessa vida mais do que centenária corintiana, a tão almejada taça é a conquista que falta. O clube quer, a torcida pede e jogadores e comissão técnica sabem da responsabilidade. A cautela adotada pelo comandante gaúcho se deve, além do seu perfil, ao desejo de extirpar a afobação, inimiga responsável por inesquecíveis tragédias. 

Na partida de ontem, contra o Emelec, a tranquilidade que havia se tornado comum foi jogada para escanteio na expulsão de Jorge Henrique e, após o duelo, nas declarações de Mário Gobbi. O juiz foi escolhido a vítima da vez, como se o clube não soubesse que na Libertadores é assim há tempos. Chega a beirar a selvageria.

O equilíbrio emocional corintiano parece ter sido abalado. No entanto, nada que deva colocar em risco a classificação, já que o adversário é fraco. O que não pode é dirigente agir como torcedor, atirando para todos os lados e acusando a Conmebol de tudo. O experiente cartolão sabe como funciona, só não quer enxergar. 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Até quando?

Por Alisson Matos 
Foto: Press 21/Tony Dias
O Flamengo subiu ao gramado do Engenhão para decidir seu futuro na temporada e, ao menos, tentar afastar uma crise que parece não ter fim. E se imaginar o rubro-negro desclassificado, para o fraco Real Potosí, no estádio tomado pela torcida, e sem a tenebrosa altitude, beirava a insanidade, ter a convicção de que no clube tudo é possível é a receita mais lógica.

Tanto que, antes da bola rolar, surgiu a notícia de que Vanderlei Luxemburgo estava demitido e que já havia um acordo firmado com Joel Santana para substituí-lo. Informação não confirmada pela presidente que desmentiu a situação tempos depois. Mas o clima ruim já estava instalado e só uma vitória colocaria panos quentes no turbilhão.

Na partida, é bem verdade que, quando Léo Moura abriu o placar, de cabeça, em falta cobrada por Ronaldinho, aos 39 do primeiro tempo, o Flamengo já merecia melhor sorte, tamanha a superioridade do escrete carioca. O jogo, que passava longe do equilíbrio, ao invés de ser lá e cá, era só lá. A prova é tanta que, ao fim da etapa inicial, a posse de bola da equipe do Rio ultrapassava os 70%.

Já o segundo tempo reservou ao torcedor lembranças de apresentações apáticas de Ronaldinho e companhia no fim da temporada passada. O, até então, inócuo Potosí passou a assustar e a impaciente nação, como de costume, começou a vaiar.

Vaias que, percebida algumas doses de garra, viravam apoio em som, uníssono, que surgia a cada ataque. E a energia que vinha da arquibancada fez com que Léo Moura e Ronaldinho invertessem os papéis do primeiro gol e, quase ao fim da partida, o lateral cruzou para o camisa 10 dominar, tirar o zagueiro adversário da jogada e assegurar a equipe na Taça Libertadores de 2012.

O Flamengo que fora de campo faz tudo errado, dentro dele vai alcançando os seus objetivos.

Resta-nos saber até quando.