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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O sabor da conquista

Foto: LOCOG


Por Alisson Matos

Foram quatro anos de preparação que seriam decididos ali, nos próximos minutos, no campo de batalha que tanto sonhara em estar. O esforço feito, quase impossível de dimensionar, a um passo de tornar-se glória, como acontece em narrativas que fazem de ídolos heróis e atletas mitos. 

Nas costas, o peso de uma nação que carrega nele a esperança. A poucos metros dali, o posto desejado é deslumbrado com um olhar sorrateiro, desconfiado, de quem não alimenta muita expectativa para um possível êxito. Sábios são os que vão à disputa sem exagerado entusiasmo, mas com a alma dos valentes. Estes, quase sempre, com a obstinação que vem de berço, alcançam o topo.

O ambiente exalava pressão e os últimos arranjos separavam-no da tão almejada conquista. Foi dado o início e, em sua mente, passavam as consequências do revés e, também, da vitória. Na competição, uma perigosa linha tênue costuma separar o céu do inferno. Então, resolveu converter a apreensão em garra e o medo em luta. Lembrou-se das dificuldades, da falta de patrocínio, da escassez de apoio e do que significava tudo aquilo.

Ouvia, ao fundo, incentivos que vinham por meio de sussurros quase silenciados pela imensidão do ambiente. Chegou a pensar que era o seu subconsciente alarmando que havia quem acreditasse no triunfo. Agarrou-se no objetivo e começou a crer na realização de um sonho. As lembranças da infância, do fim dos contos de fadas, da descoberta que o Papai Noel e o Coelho da Páscoa não existiam vieram, novamente, à tona.

Deixou as reminiscências para trás e buscou concentrar-se. A tarefa deixara de ser fácil desde que deixou o seu país, tamanha a responsabilidade que era representá-lo. Queria voltar com o nome cravado na eternidade, mas conhecia os seus limites. A reta final aproximava-se, os músculos doíam, o cansaço era evidenciado e as lágrimas estavam prontas para ganhar o mundo. 

Dali até o fim da disputa, recorda-se, somente, da contemplação. Havia chegado a hora. A sua hora.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Enfim, o ouro?


Rafael Ribeiro / CBF
Por Alisson Matos

É um longo tempo de espera e uma ambição que ainda não foi saciada. De quatro em quatro anos, o discurso é exaustivamente repetido e a geração sempre supera a anterior. A nova safra ganha ares de praticamente imbatível e o clima produzido colabora para, via de regra, a decepção.

Desta vez, Ganso, Neymar, Leandro Damião, Oscar e companhia têm a missão de superar os dois bronzes em 1996 e 2008, além das duas pratas na década de 1980. A seleção brasileira chega, mais uma vez, como uma das favoritas e, agora, com um adendo: é a base da equipe para a Copa daqui a dois anos.

Mano Menezes sabe de suas responsabilidades. O discurso do treinador, que desde o início do trabalho tem sido bem coerente, não colaborou com os resultados e um possível revés em Londres deve selar  o seu destino longe do comando. 

A equipe, enfim, tem uma cara, uma forma de jogar, e o teste de fogo chega justamente no oportuno momento. É a chance de se provar que os jovens talentos podem manter acesa, como a tocha olímpica, a esperança dos torcedores brasileiros para o próximo Mundial.

Há até quem prefira mais o ouro do que a conquista em 2014. Que os deuses do Olimpo estejam ao nosso lado.