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quinta-feira, 29 de março de 2012

O adeus do Animal

Reprodução

Por Alisson Matos


A linearidade da vida não poupa ninguém do inevitável, pois desde que o mundo é mundo é sabido que tudo que nasce irá morrer, numa constatação cruel que ultrapassa raciocínios lógicos, biológicos ou religiosos. E toda vez que o ser humano se depara com a linha tênue que o separa de qualquer atividade as indagações surgem como em dialéticas à La Grécia Antiga.

Tudo isso para falar da aposentadoria de Edmundo. Um dos craques que vi jogar, que me fez chorar muito mais do que sorrir. Um ser humano na real acepção da palavra, de erros e acertos, ídolo de várias cores, homem de muitos amores, capaz de trocar o profissionalismo pelo carnaval e o amadorismo pelos sonhos.

No Vasco virou príncipe. No Palmeiras animal. Passou pelo Flamengo, Napoli, Fluminense, Figueirense e tantos outros. Na Seleção foi um daqueles casos em que só o imponderável explica. Na Copa da França chegou a jogar alguns minutos, numa partida que já estava decidida. O fato é que Edmundo jamais precisou da Amarelinha para provar quem ele é.

Personalidade forte, sempre acreditou nas suas convicções. Jamais abaixou a cabeça, coisa casa vez mais rara na passividade que assola o encantador esporte. Personagens como o Edmundo são escassos.

As lágrimas que escorriam, nas épicas vitórias vascaínas sobre o Flamengo, serviram para ensinar o peso da derrota, a se portar nas adversidades e a lidar com a vitória quando ela viesse. Porque Edmundo, embora muitos vejam somente defeitos, talvez sem imaginar deixou lições.

E o fim, que no fundo simboliza um novo início, como não poderia ser diferente, veio onde ele começou, no Rio de Janeiro, com a camisa do Vasco em São Januário num enredo fascinante.

Uma justa homenagem.

O futebol sentirá sua falta, Animal.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Vasco na final. E o Flamengo, crônico, cômico ou cônico?



Por Alisson Matos



Quando Deivid perdeu o gol mais feito nos últimos anos do futebol mundial, os 18 mil torcedores presentes no Engenhão já tinham visto o Flamengo abrir o placar, com gol de Vágner Love, e o Vasco equilibrar as coisas até chegar ao empate com Alecsandro.

Até aí, o que parecia ser dia de Flamengo, com Airton e Leonardo Moura, enfim, jogando bem, já havia passado pelo reino do equilíbrio até, por fim, cair nos pés do reizinho da Colina, Juninho Pernambucano, que fazia partida memorável.

O clássico era daqueles que dava gosto assistir, lá e cá.

Era o Flamengo correndo atrás do seu sonho, amenizar o conturbado ambiente, e o Vasco fugindo do maior pesadelo, mais uma derrota em partida decisiva para o maior rival.

Aos 33, o goleiro Felipe, que falhou no gol cruz-maltino, fez milagre. No lance seguinte, já no minuto 34, Fernando Prass não deixou por menos em chute de Deivid.

O jogo era movimentado, emocionante, nervoso e lembrava os áureos tempos.

Com o Vasco já superior, o primeiro tempo chegou ao fim para alívio de Joel, do, mais uma vez, apático Ronaldinho Gaúcho e companhia.

No início da segunda etapa, o treinador flamenguista resolveu sacar Deivid, que, como disse o gênio, segue com seu problema crônico, ou seria cômico, quem sabe cônico, de perder gols.

Botinelli entrou e nada mudou, pois o Vasco seguia superior.

Felipe entrou e Juninho saiu.

Léo Moura sofreu pênalti e o juiz não viu.

O jogo já mantinha o mesmo diapasão até que, aos 32, Fágner cabeceou, Felipe, de novo, soltou e Diego Souza, até então discreto no duelo, virou.

Daí, foi jogo de ataque contra defesa.

O rubro-negro pressionava e Dedé e sua trupe defendiam.

Até que o juiz encerrou.

O Vasco, que não vence uma Taça Guanabara desde 2003, chega na final.

Já o Flamengo, que jamais havia perdido um clássico no Engenhão, fica pelo meio do caminho.

Em tempo: Enquanto no Rio, tivemos um clássico de parar o carnaval ou, quem sabe, alegrar a quarta-feira de cinzas, em São Paulo ocorreu um clássico que já foi mais clássico. Nele, o Corinthians venceu a Lusa por 2x0. E foi só.